Usando táticas da Guerra Fria para controlar o Irã

 

ESCRITO POR DANIEL PIPES

INTERNACIONAL – ESTADOS UNIDOS

À medida que os americanos buscam encontrar uma alternativa para a difícil e desagradável opção de aceitar a fanática liderança do Irã em possuir armas nucleares ou bombardear preventivamente suas instalações nucleares, um analista apresenta a possibilidade de um terceiro caminho. Curiosamente, a ideia vem de uma longínqua política frente a outro inimigo – o estilo da administração Reagan de tratar a União Soviética – no entanto, este modelo, não muito plausível, proporciona um protótipo aceitável.

Abraham D. Sofaer, ex-juiz distrital dos Estados Unidos e consultor jurídico do Departamento de Estado, agora membro sênior da Hoover Institution, sustenta no livroTaking On Iran: Strength, Diplomacy and the Iranian Threat (Enfrentando o Irã: Poder, Diplomacia e a Ameaça Iraniana) (Hoover Institution, 2013), que desde a queda do Xá durante a administração Carter, Washington “tem respondido à agressão iraniana com sanções ineficazes, condenações e advertências vazias”.

Desde 1988, observa ele, o governo dos Estados Unidos não tem dado atenção ao poder militar iraniano, que protege especificamente a ordem islâmica do país e frequentemente ataca no exterior, alternadamente chamada dePasdaran ou Sepah no idioma persa, a Guarda Revolucionária do Irã ou EGRI em português. Criada em 1980, a acima mencionada tropa de elite, composta de 125.000 combatentes, tem um papel fora do comum na vida política e econômica do Irã. Possui suas próprias unidades de exército, marinha e força aérea, controla programas de mísseis balísticos e compartilha o controle do programa nuclear do país. Dirige a milícia Basij, que aplica as rígidas convenções islâmicas na população iraniana. Suas forças militares são mais importantes do que as forças armadas normais. Sua Força Quds de aproximadamente 15.000 agentes difunde a revolução Khomeini no exterior por meio de infiltrações e assassinatos. Gradua pessoal para posições chave no governo iraniano.

Abraham D. Sofaer da Hoover Institution.

A EGRI tem desempenhado um papel de destaque nos ataques a americanos, seus aliados e seus interesses, especialmente quando se leva em consideração as evidências sobre seus parceiros e cúmplices, como o Hisbolá, Hamas, o movimento do Muqtada al-Sadr e até mesmo o Talibã e a al-Qaeda. Os feitos da EGRI incluem os atentados a bomba aos alojamentos dos Marines em 1983 e à Embaixada dos Estados Unidos no Líbano, os atentados a bomba contra alvos judeus em 1992 e 1994 na Argentina, o atentado a bomba em 1996 contra os alojamentos de Khobar na Arábia Saudita, a tentativa de assassinato do embaixador saudita em Washington em 2011 e o fornecimento de mísseis ao Hamas para a guerra de 2012 contra Israel (que já está sendo reabastecido).

Ao todo, os ataques da EGRI causaram a morte de mais de 1.000 soldados americanos e muitos membros de outras forças armadas e de não combatentes. O governo dos Estados Unidos responsabilizou a Guarda Revolucionária do Irã como patrocinadora estatal do terrorismo e apontou-a como proliferadora de armas de destruição em massa.

Sofaer defende uma abordagem dupla, maleável em relação ao Irã: “confrontar a agressão da EGRI diretamente e negociar com o Irã”.

Confrontação significa que Washington irá explorar “toda a gama de opções disponíveis a fim de conter a Guarda Revolucionária do Irã sem recorrer a ataques preventivos contra as instalações nucleares”. Ele sustenta que as forças dos Estados Unidos têm o direito e devem visar as fábricas e instalações de armazenamento de armas, instalações associadas com a EGRI (bases, portos, caminhões, aviões, navios), carregamentos de armas prestes a serem exportadas e unidades da EGRI. O objetivo de Sofaer não é apenas coibir a violência da EGRI, mas também “minar sua credibilidade e influência e ajudar a convencer o Irã a negociar a sério” o seu programa de armas nucleares.

Negociações significa conversar com Teerã sobre questões pendentes, em vez de punir a capital do Irã com altivez. Sofaer cita James Dobbins, ex-enviado especial dos EUA ao Afeganistão, como defensor deste ponto de vista: “É hora de aplicar ao Irã a política que venceu a Guerra Fria, libertou o Pacto de Varsóvia e reuniu a Europa: détente e contenção, comunicação sempre que possível e confrontação sempre que necessário. Nós conversamos com a Rússia de Stalin. Nós conversamos com a China de Mao. Em ambos os casos, maior exposição a riscos recíprocos mudou o sistema deles, não o nosso. Chegou a hora de falar com o Irã, incondicionalmente e de forma abrangente”. De maneira geral, juntamente com Chester A. Crocker, outro ex-diplomata americano, Sofaer vê a diplomacia como “o mecanismo que transforma energia bruta e força tangível em resultados políticos significativos”.

A EGRI coordenou os atentados a bomba de 1996 nos alojamentos da Khobar Towers na Arábia Saudita, matando 19 militares dos EUA.

Sofaer imagina que enfrentar e negociar ao mesmo tempo irá pressionar enormemente Teerã a melhorar o seu comportamento geral (por exemplo, em relação ao terrorismo) e possivelmente levar ao término do programa nuclear e, ao mesmo tempo deixar em aberto a possibilidade de um ataque preventivo “se nada der certo”.

O ex-secretário de Estado George P. Shultz, em seu prefácio do livro Taking on Iran (Falando sobre o Irã), classifica a ideia de Sofaer “uma alternativa que deveria ter sido implementada há muito tempo”. Aliás, já passou da hora de responder às atrocidades da EGRI com a linguagem da força, a única, que os líderes iranianos compreendem – e que goza do benefício adicional, quiçá, de evitar maiores hostilidades.

Publicado no The Washington Times

Original em inglês: Using Cold War Tactics to Confront Iran

Tradução: Joseph Skilnik

Fonte: Mídia Sem Máscara

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