Arcebispo de Nova York diz que a Igreja deve se aproximar dos gays

Agência O Globo

Em uma semana importante para o reconhecimento dos direitos dos homossexuais no país, o presidente da Conferência dos Bispos dos Estados Unidos e arcebispo de Nova York, Timothy Dolan, reconheceu neste domingo que a Igreja Católica ainda tem um longo caminho a percorrer para se aproximar da comunidade gay. Durante uma entrevista para um canal americano, Dolan falou sobre a aparente distância entre os interesses da Igreja e de seus fiéis, e insistiu que a instituição religiosa deveria ter mais cuidado ao transmitir sua mensagem. A Suprema Corte americana discutiu esta semana a constitucionalidade das uniões entre pessoas do mesmo sexo.

Apesar da mensagem, Dolan insistiu que, para a Igreja Católica, o casamento só é válido entre um homem e uma mulher.- Deus nos ensinou que o caminho para a felicidade, especialmente no que diz respeito ao amor sexual, se limita apenas à união entre homem e mulher. Mas devemos tentar melhorar a nossa maneira de defender o casamento, para que não pareça que se reduz a um ataque a homossexuais – disse.

Dolan, que participou do conclave que elegeu o novo Papa, disse na entrevista que a Igreja está tentando se aproximar da comunidade homossexual, mas está ciente de que ainda é muito cedo para acolher católicos gays.

– A natureza da Igreja faz com que, algumas vezes estejamos longe das questões que realmente preocupam os fiéis. Queremos que a felicidade dos homossexuais. Eu os amo, assim como Deus os ama, mas às vezes não somos suficientemente eficazes para mostrar para a sociedade como Ele nos ensinou como viver.

Uma pesquisa divulgada pelo Centro Pew, dias antes da eleição do novo Pontífice, mostra que a maioria dos católicos americanos pedia um Pontífice que modernizasse a Igreja, tornando-a mais aberta às novas realidades da sociedade. Outra sondagem, realizada pela cadeia ABC na mesma época, dizia que os católicos americanos – cerca de 80 milhões – sentiam que a hierarquia da Igreja havia se desconectado com as preocupações reais dos seus paroquianos. Nas últimas décadas, a Igreja Católica nos EUA viveu cercado por escândalos de pedofilia. A atitude dos altos clérigos, de proteger os padres envolvidos, em vez de apoiar a transparência das investigações, tem minado a credibilidade da instituição.

O próprio Dolan foi interrogado por casos de abuso sexual quando era líder da Arquidiocese de Milwaukee, em Wisconsin, entre 2002 e 2009. Durante três horas, o arcebispo de Nova York falou a advogados de 500 supostas vítimas de padres de Milwaukee – a oitava diocese que recorre ao procedimento nos Estados Unidos desde 2002, quando veio à tona um escândalo por abusos sexuais em Boston.

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