Justin Peters: um cessacionista americano ensinando “apologética” aos pentecostais do Brasil

Palestrante convidado da VINACC, um evangélico americano virou manchete ao lançar uma rajada de críticas aos pregadores da Teologia da Prosperidade classificando-os como “falsos profetas.”

Justin Peters deu sua aula de apologética num templo da Assembleia de Deus em Campina Grande em 16 de fevereiro de 2015. A VINACC realizou nessa igreja seu 2º Encontro Apologético Internacional.

No evento, Peters disse: “Benny Hinn, Kenneth Copeland, Joel Osteen, Myles Munroe, Joyce Meyer e outros são todos falsos profetas. O que eles ensinam não é o Evangelho pregado por nosso Senhor Jesus Cristo, mas um ensino que não tem nenhuma base bíblica.”
No entanto, as críticas dele não pararam nos “falsos profetas.” Ele também ensinou, no nome da apologética cristã, acerca do dom de línguas e “como Deus não fala hoje” através de profecias e revelações.
Na Declaração Doutrinária de seu site, Peters diz que “os dons miraculosos de línguas, interpretação de línguas, revelação divina e cura física” eram dons apenas para os Apóstolos de Jesus. Ele também diz que esses “dons não estão mais em atividade hoje… e que são, portanto, desnecessários.”
Desnecessários? O evangelismo de poder era um componente essencial e vital do ministério de Jesus e seus discípulos. Dons sobrenaturais são ferramentas de Jesus para espalhar o Evangelho. Esses dons têm sido vitais para evangelismo eficaz no Brasil, para equipar os cristãos a confrontar as forças das trevas e libertar as pessoas das garras de Satanás.
Se eles eram extremamente necessários para Jesus e seus discípulos, por que eles seriam desnecessários hoje? As forças das trevas se evaporaram?
Tratar os dons sobrenaturais do Espírito Santo como “desnecessários” nunca foi parte do verdadeiro Evangelho. O cessacionismo (a doutrina herética que diz que os dons sobrenaturais do Espírito Santo cessaram dois mil anos atrás e não estão mais disponíveis hoje) nunca foi parte do ministério de Jesus e seus Apóstolos.
Se Peters ensinou tal “apologética” num templo da Assembleia de Deus no Brasil, com certeza ele ofendeu muitos brasileiros! Os pentecostais, os neopentecostais e os renovados são a maioria dos evangélicos brasileiros.
Não tenho dificuldade com críticas contra abusos de pregadores calvinistas, luteranos, pentecostais e neopentecostais. Mas rotular os pentecostais como “falsos profetas” ou “pregadores heréticos” só porque a motivação do crítico é o cessacionismo é hipocrisia. Ensinar contra o Espírito Santo é heresia.
Justin Peters acabou mostrando no Brasil que Myles Munroe, Kenneth Copeland e os que acreditam em profecias, línguas e revelações estão todos destinados ao inferno. Ao que tudo indica, a motivação para sua oposição ao pentecostalismo e aos dons sobrenaturais do Espírito Santo para hoje é seu amor por suas insignificantes doutrinas religiosas humanas que limitam Deus e seu poder e ações — sob o disfarce de amor pela “verdade.”
Esse tipo de “apologética” — que merece um título justo de falsa apologética — teria causado problemas nas igrejas do Apóstolo Paulo, que viu muitos abusos dos dons sobrenaturais do Espírito Santo na igreja de Corinto, mas sua resposta não foi bani-los ou pregar o cessacionismo. Sua resposta foi corrigir os abusos. Ele jamais condenou, criticou ou atacou esses dons. Ele nunca desestimulou seu povo de buscar mais dons sobrenaturais.
Como seria de esperar, a falsa apologética de Peters causou confusão entre os brasileiros. E seu ministério deu um relatório público do que aconteceu:
“No final de sua sessão, para dar uma apresentação prévia da próxima sessão, Justin falou sobre o abuso do dom de línguas e como Deus fala e não fala conosco. Aparentemente, isso deixou alguns transtornados, por assim dizer. Algumas pessoas evidentemente confrontaram os organizadores e os convenceram a pedir que Justin ajustasse e modificasse sua mensagem a fim de não mencionar o dom de línguas e o abuso de línguas, sob a premissa de que falar sobre tais coisas ofenderia muitos. É claro que Justin explicou que ele não podia, em sã consciência e diante de Deus, ajustar sua mensagem ou aguá-la para agradar às inclinações de uma audiência. Na realidade a única coisa que pode arrancar as pessoas que estão sob falsas doutrinas não é aplacar, mas falar a verdade em amor. Justin lhes disse isso e eles o proibiram de concluir seu seminário… os organizadores deviam se envergonhar de ter tão pouca firmeza de caráter. É claro que tenho certeza de que ovelhas fervorosas entre os organizadores lutaram para que não ocorresse essa concessão. Triste, eu mesmo lutei. Esse é outro motivo por que temos, como crentes, de nos submeter a um jugo com os que já estão condenados. É melhor ter uma conferência pequena fiel à verdade do que uma grande multidão que negocia a verdade. Os que estão sob falsa doutrina não se curvarão facilmente porque a doutrina falsa é uma batalha espiritual.”
“Doutrina falsa”: crer nos dons sobrenaturais do Espírito Santo para hoje.
“Falar a verdade em amor”: ensinar o cessacionismo.
O público da VINACC não estava transtornado porque Justin pregou contra Benny Hinn e outros. Aliás, eles estavam ali para ouvi-lo atacar esses pregadores. Eles ficaram transtornados porque ele queria também atacar suas experiências pessoais com Deus.
Há muitos apologetas calvinistas no Brasil que adoram o cessacionismo. Com a mesma paixão, eles adoram fazer críticas implacáveis aos pentecostais e neopentecostais. Ao mesmo tempo, muitas vezes eles escondem sua verdadeira motivação. Pelo menos nisso, Peters é mais honesto do que os calvinistas brasileiros. Aliás, tenho um e-book (“Teologia da Libertação versus Teologia da Prosperidade”) que desmascara a falsidade deles.
Pelo fato de que Peters é americano e não sabe que o evangelicalismo brasileiro é essencialmente pentecostal, ele não conseguiu ou não quis ocultar sua motivação para detonar os pregadores da Teologia da Prosperidade.
Para sua teologia humana, os cristãos que falam em línguas, ouvem a voz de Deus e têm profecias e revelações espirituais são tão “falsos cristãos” quanto todos os outros pregadores condenados por ele.
Discordo da teologia de Peters. Em minha opinião, o cessacionismo dele é heresia. Contudo, eu aplaudo a sinceridade e honestidade dele. Nesse aspecto, os críticos calvinistas anti-pentecostais do Brasil têm muita coisa para aprender com ele.
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