Vaticano não quer que refugiados sejam evangelizados

Cardeal Müller diz proselitismo “é praticamente uma manipulação da consciência”
Vaticano não quer que muçulmanos refugiados sejam evangelizados O cardeal alemão Gerhard Müller é Prefeito da Congregação para Doutrina da Fé além de presidir a Comissão Teológica Internacional. O site católico Catholic Herald mostrou que ele está fazendo um apelo polêmico.

Para ele, os cristãos que estão ajudando os imigrantes muçulmanos que chegam diariamente à Europa não devem tentar convertê-los, mas sim amá-los “sem intenções ocultas”.

Para o cardeal, o proselitismo “é praticamente uma manipulação da consciência”. Ressaltou que a missão da Igreja é “ajudar a humanidade a se relacionar e amar os que estão fugindo da guerra e da perseguição”.

As declarações foram dadas recentemente, durante uma conferência internacional realizada no Vaticano, que estuda a primeira encíclica do Papa Bento XVI, Deus Caritas Est, que aborda a relevância da perspectiva cristã do amor no mundo de hoje.

Para Müller, a Igreja deve ajudar oferecendo mais que apenas as necessidades materiais. O mandamento de Jesus para amarmos o próximo, segundo ele, é uma chamada para que os cristãos manifestem o amor de Deus aos outros de modo especial pelas obras de caridade. No entanto, repudia que isso seja “um instrumento de proselitismo”.

“Um cristão sabe quando é hora de falar de Deus e quando é melhor ficar quieto. Às vezes, um testemunho silencioso é o melhor testemunho do amor de Deus “, asseverou.

Lembrou de maneira especial de sua terra natal, a Alemanha. Trata-se de um dos países onde a maioria dos imigrantes deseja morar. “Há entre estes imigrantes, a maioria dos quais são muçulmanos, aqueles que perguntam: ‘Por que são os cristãos – e não os nossos irmãos muçulmanos – que nos ajudam?’”, justificou o cardeal.

Para o líder religioso, isso seria motivo o suficiente para que eles entendessem o amor de Deus.

O compromisso com a caridade e o amor para com o próximo, disse ele, não pode se tornar “ativismo cego e um desejo fanático de reformar o mundo”. Embora não fosse capaz de citar casos onde os muçulmanos decidiram seguir a Jesus apenas pelo testemunho de católicos, enfatizou que usar as diferenças religiosas como pretexto para exclusão é contrária à fé.

Enquanto o cardeal contraria o mandamento bíblico de se anunciar o evangelho a todos (inclusive islâmicos), o governo alemão tenta lidar com a onda de violência sexual no país. As autoridadesdistribuíram uma cartilha de normas de comportamento após dezenas de mulheres terem sido assediadas por imigrantes nos últimos meses.

Curiosamente, dezenas de igrejas cristãs estão fechando e sendo colocadas à venda na Alemanha. Alguns deles estão sendo reformados e se transformaram em mesquitas. O país este ano verá o início da construção do que é chamado de o primeiro “templo da religião mundial”. Um prédio que servirá como sinagoga, mesquita e igreja ao mesmo tempo.

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