Refúgio e Descanso em Jesus

A Caverna de Adulão e Sua Profundidade Profética

Davi retirou-se dali e se refugiou na caverna de Adulão; quando ouviram isso seus irmãos e toda a casa de seu pai, desceram ali para ter com ele. Ajuntaram-se a ele todos os homens que se achavam em aperto, e todo homem endividado, e todos os amargurados de espírito, e ele se fez chefe deles; e eram com ele uns quatrocentos homens. Dali passou Davi a Mispa de Moabe, e disse ao seu rei: Deixa estar meu pai e minha mãe convosco, até que eu saiba o que Deus há de fazer de mim. Trouxe-os perante o rei de Moabe, e com este moraram por todo o tempo em que Davi esteve neste lugar seguro. Porém o profeta Gade disse a Davi: Não fiques neste lugar seguro; vai, e entra na terra de Judá. Então Davi saiu e foi para o bosque de Herete” (1 Sm 22.1-5).

O Antigo Testamento é um livro que ilustra o Novo Testamento, pois as marcas da cruz perpassam profeticamente a Bíblia toda. Repetidas vezes nossa atenção é despertada pela presença desse fato que é o maior que aconteceu na História da Salvação e em toda a eternidade: a morte de Jesus na cruz do Calvário! E é nessa perspectiva que até na caverna de Adulão e nos fatos que ali se sucederam podemos ver uma ilustração, um exemplo daquilo que o Davi celestial, que é Jesus Cristo, realizou na cruz.

Adulão, lugar da justiça

A palavra Adulão tem dois significados: 1. justiça do povo; 2. refúgio, esconderijo. Essas não são duas maravilhosas alusões à cruz do Calvário e à futura história de Israel? Será feita justiça a Israel, e isso no dia da Grande Tribulação quando o povo judeu se refugiará no Senhor e quando seus olhos virem Aquele a quem haviam rejeitado. A salvação de Israel passa pelo Calvário (Adulão)!

Mas também a nós, que cremos em Jesus Cristo, foi concedida ali a justiça que tem validade diante de Deus. Fomos justificados pelo sangue do Cordeiro (Rm 3.25-26). E na cruz igualmente encontramos refúgio. “O Deus eterno é a tua habitação” (Dt 33.27).

Adulão, lugar de significado profético

“Davi retirou-se dali e se refugiou na caverna de Adulão; quando ouviram isso seus irmãos e toda a casa de seu pai, desceram ali para ter com ele” (1 Sm 22.1). Davi, que no passado nem havia sido valorizado por sua família agora é procurado por ela. Seus irmãos e parentes fogem para ficar junto dele na caverna e de fato acham refúgio em sua companhia.

Séculos depois isso se realizou igualmente na vida de Jesus. Primeiramente seus próprios irmãos não creram nEle (Jo 7.5), assim como os irmãos de Davi não creram em Davi e até o repreenderam. Posteriormente, os irmãos de Jesus passaram a crer nEle (At 1.14) e encontraram refúgio interior em Jesus, como, por exemplo, Tiago, que escreveu a Epístola de Tiago do Novo Testamento.

Isso tem teor profético: os irmãos de Jesus são o povo de Israel. O povo como um todo até hoje ainda não crê nEle. Mas virá o dia em que todo o remanescente de Israel buscará e encontrará refúgio em Jesus (Rm 11.25b-26).

Em Miquéias 1.15, Adulão é mencionado em conexão com a futura redenção de Israel: “…chegará até Adulão a glória de Israel.” E em 1 Samuel 22.3-5 lemos: “Dali passou Davi a Mispa de Moabe, e disse ao seu rei: Deixa estar meu pai e minha mãe convosco, até que eu saiba o que Deus há de fazer de mim. Trouxe-os perante o rei de Moabe, e com este moraram por todo o tempo em que Davi esteve neste lugar seguro. Porém o profeta Gade disse a Davi: Não fiques neste lugar seguro; vai, e entra na terra de Judá. Então Davi saiu e foi para o bosque de Herete.” Assim como os pais de Davi encontraram refúgio temporário em Moabe, assim, segundo a minha opinião, o remanescente de Israel buscará e achará refúgio em Moabe, ou seja, na Jordânia, durante o tempo da Grande Tribulação quando o anticristo tentará exterminar o povo de Israel. Mas no final o restante de Israel vai encontrar refúgio na “caverna de Adulão”, ou seja, no Calvário. Os que restarem do povo de Israel irão se dirigir Àquele que já há 2.000 anos atrás realizou a salvação para todas as pessoas na cruz do Calvário (comp. Zc 14.4-5,8-11).

Adulão, lugar de profundidade insondável

A caverna de Adulão é descrita assim: “É um sistema de corredores sem fim e passagens transversais que ainda não foi explorado por completo.” Da mesma maneira jamais conseguiremos perscrutar toda a profundidade e abrangência da cruz. A Páscoa sempre continuará sendo para nós de uma grandeza imensurável. Pesquisamos e nos aprofundamos no assunto e ficamos admirados do que Jesus fez na cruz – e continuam a surgir novos mistérios à nossa frente. Fazemos cada vez mais novas descobertas, mas jamais chegaremos ao seu fim. Pessoa nenhuma pode dizer que já conseguiu explorar essa “Adulão” por completo, pois ela é uma fonte inescrutável de riquezas.

Muitas vezes as preciosidades se encontram, por assim dizer, ocultas em uma caverna. J. Oswald Chambers escreveu certa vez:

Os mais inteligentes pensadores de todos os tempos tentaram entender o significado da morte de Jesus na cruz. Mas ninguém jamais conseguiu chegar à sua profundidade completa. Eles desistiram, como fez Paulo exclamando: “profundidade da riqueza, tanto da sabedoria, como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” (Rm 11.33).

Temos algo semelhante escrito em Efésios 1.19: “…e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder.” Ou pensemos em Efésios 3.18-19: “a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo (a cruz), que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus.”

Adulão, lugar de humilhação

A caverna de Adulão, na qual Davi ficava e onde muitos se escondiam, era um lugar comum, sem nada de especial na sua aparência. Uma caverna não é um lugar agradável. Em geral as cavernas são lugares solitários, escuros e frios, um lugar para sujeira e lixo de todo tipo. De qualquer forma, uma caverna não é lugar digno para um rei, pois nem de longe pode ser comparada com um luxuoso castelo. Se Davi estivesse morando dentro de um majestoso castelo, certamente muito mais pessoas teriam vindo para ficar com ele. Mas até essa caverna só vinham aqueles que realmente precisavam dele.

Davi já havia sido ungido como futuro rei pelo profeta Samuel (1 Sm 16.13), mas estava sendo perseguido e oprimido tão duramente por Saul, rei em exercício em Israel, que se viu obrigado a fugir para uma caverna. Davi foi obrigado a isso pelas circunstâncias, mas o Filho de Deus o fez de livre e espontânea vontade. Pensamos no Senhor Jesus que, mesmo sendo semelhante a Deus, esvaziou-se a Si mesmo, assumiu a forma de servo e foi fiel até à morte, até à morte na cruz (Fp 2.6-8).

Com Davi na caverna de Adulão somos lembrados do Salmo 22 onde é descrito o Salvador sofredor: “Contra mim abrem as bocas, como faz o leão que despedaça e ruge” (v. 13). Jesus – sendo entregue à cruz – se encontrava literalmente na cova dos leões!

Adulão, lugar do rei verdadeiro

Quem é que poderia crer ou imaginar que naquela caverna se encontrava o homem que havia sido escolhido para reinar sobre Israel, homem em quem um dia muitos encontrariam ajuda? Mesmo que Davi tenha começado de maneira tão humilde – esse era o caminho de Deus para ele –, mesmo assim ele era o ungido, o novo rei de Israel. E apesar de não ter sido reconhecido como soberano quando se encontrava nessa situação, ele não deixou de sê-lo.

Vejam como Jesus foi desprezado, cuspido, torturado e escarnecido quando se encontrava dependurado na cruz! Mas mesmo assim Ele continua sendo o homem da salvação, o verdadeiro Rei e o único refúgio para uma humanidade perdida. Pedro testemunhou o seguinte aos fariseus incrédulos: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (At 4.12). Jesus é o verdadeiro filho de Davi. E Ele é o verdadeiro soberano e senhor do céu e da terra e Rei dos Reis, mesmo que na cruz não tenha sido reconhecido!

Adulão, lugar de refúgio

“Ajuntaram-se a ele todos os homens que se achavam em aperto, e todo homem endividado, e todos os amargurados de espírito, e ele se fez chefe deles; e eram com ele uns quatrocentos homens” (1 Sm 22.2). Que tipo de pessoas vieram a Davi na caverna? Eram pessoas que provavelmente receberam um sorriso condescendente e cheio de pena nas ruas e castelos. Eram criaturas miseráveis, pessoas em angústia, pessoas carregadas de culpa e com um coração atormentado. Mas Davi estava a seu lado! Em sua caverna encontraram refúgio.

Mas quem são os que encontram refúgio na cruz do Calvário?

Pessoas em aperto

Pessoas que não sabem o que fazer consigo mesmas, que chegaram aos seus limites e que perderam o chão firme debaixo de seus pés. E até hoje todos os que se encontram cheios de problemas (logicamente também os que já aceitaram a Jesus como seu Senhor e Salvador) podem ir a Jesus em busca de refúgio e paz na obra consumada do Senhor na cruz do Calvário sempre que precisarem. Podemos ter a certeza de que Jesus é maior que todo e qualquer poder que queira nos oprimir.

Pessoas endividadas

Pessoas que estão cônscias de sua culpa e sabem o quão profundo é o abismo do pecado e que estão convictas do quanto são condenáveis diante do Deus vivo, são essas pessoas que correm em direção a Jesus. Toda e qualquer pessoa que sabe da maldade que existe em seu coração consegue refúgio na “caverna de Adulão”, isto é, na cruz do Calvário. Nessa “caverna”, a pessoa encontra perdão dos pecados e um Deus misericordioso. Mas para todos os que são cristãos renascidos é válido o que segue: “Filhinhos meus, estas cousas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo; e ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro” (1 Jo 2.1-2).

Pessoas amarguradas de espírito

Quando as sombras da depressão ou as trevas da tentação angustiam a nossa alma, encontramos refúgio, salvação, consolo e paz em Jesus. Como as pessoas devem ter suspirado aliviadas quando entravam na caverna! O Salmo 5.11 fala: “Mas regozigem-se todos os que confiam em ti; folguem de júbilo para sempre, porque tu os defendes; e em ti se gloriem os que amam o teu nome.” Em Jesus você está seguro!

Em lugar algum estamos mais abrigados e seguros do que na cruz do Calvário, “…porque ele (Jesus Cristo) é a nossa paz” (Ef 2.14). Toda vez que nos humilharmos diante dEle em arrependimento sincero e confessarmos a Ele os nossos pecados poderemos respirar aliviados. Mas será que tomamos tempo suficiente para buscarmos o ungido rei na “caverna de Adulão” – para termos comunhão com o nosso Davi celestial?

Adulão, lugar da troca de liderança

Lemos em 1 Samuel 22.2: “Ajuntaram-se a ele todos os homens que se achavam em aperto, e todo homem endividado, e todos os amargurados de espírito, e ele se fez chefe deles; e eram com ele uns quatrocentos homens.” Simbolicamente podemos deduzir o seguinte:

Os homens se ajuntaram a Davi

Jesus voluntariamente trilhou o caminho da humilhação, e, igualmente, todos aqueles que querem seguir a Jesus têm de se despojar de todo orgulho e têm de cair de joelhos diante do Senhor, se humilhando na Sua presença. Isso os irmãos de Jesus (Israel) farão, e essa é uma condição imprescindível para todo aquele que procura a salvação. Mas aquele que quiser ser o rei, que quiser continuar a mandar, como o rei Herodes no tempo de Jesus – a essa pessoa o caminho ao Calvário estará bloqueado.

Os homens se sujeitaram a Davi

A partir do momento em que os homens entraram na caverna de Adulão, Davi passou a ser seu chefe. Quem se refugia com seus pecados em Jesus experimenta o perdão. E perdão recebido aprofunda o amor a Ele e conduz à submissão voluntária ao Senhor e Seu domínio em nossas vidas.

Os homens mudaram de reino

Se pudéssemos perguntar àqueles homens de onde eles vinham, certamente teriam respondido: “Viemos do reino de Saul”. Até nisso Saul é um símbolo do reino deste mundo, já que havia sido exaltado por Deus e instituído por Deus para ser o primeiro rei de Israel. Mas, por desobediência, Saul se desligou de Deus. Por isso, Deus o rejeitou, e, depois disso, Saul reinava em seus domínios, mas em oposição a Deus. E assim foi com Lúcifer, a “estrela da manhã” que se rebelou contra Deus e perdeu sua vocação. A maioria das pessoas se encontra no reino de Satanás; são poucos os que fogem e se refugiam no Davi celestial.

Saul também é uma ilustração da natureza pecaminosa do homem. Ele foi um rei segundo o coração humano. Davi foi diferente, ele era um homem segundo o coração de Deus – e é uma ilustração da vida espiritual. Se poderíamos continuar perguntando àqueles homens: “Aonde vocês vão?” eles teriam respondido: “Estamos saindo do reino de Saul e vamos ao reino de Davi.” Quem se achegou a Jesus realizou uma mudança de posição em sua vida e se demitiu do antigo padrão que o escravizava. Essa pessoa deu a Jesus Cristo a primazia em sua vida.

As pessoas daquela época tomaram certas atitudes para chegarem a Davi. Elas foram até sua caverna, que era algo humilhante, e se uniram com Davi. E quem deseja hoje se refugiar em Jesus? Em sentido neotestamentário isso significa entregar-se a si mesmo: “Ou, porventura, ignorais que todos os que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida” (Rm 6.3-4).

Cada um desses homens estava bem consciente de sua culpa e de sua grande angústia, e cada um deles provavelmente pensava: “Se existe alguém que pode me ajudar, essa pessoa só pode ser Davi.” Por isso esses homens se puseram a caminho e se dirigiram à caverna de Adulão. Lá, junto de Davi, encontraram descanso e passaram a fazer parte de seu reino. Querido amigo, peregrino cansado da longa jornada, você também tem um descanso maravilhoso a lhe esperar nas feridas do Cordeiro de Deus que morreu por você na cruz do Calvário: “Venham a Mim e Eu lhes darei descanso – todos vocês que trabalham tanto debaixo de um jugo pesado. Levem o meu jugo – porque ele se ajusta perfeitamente – e deixem que Eu lhes ensine; porque Eu sou manso e humilde, e vocês acharão descanso para suas almas; pois só Eu faço vocês carregarem cargas leves” (Mt 11.28-29, A Bíblia Viva). (Norbert Lieth — Chamada.com.br)

Extraído de Revista Chamada da Meia-Noite outubro de 1997

Revista mensal que trata de vida cristã, defesa da fé, profecias, acontecimentos mundiais e muito mais. Veja como a Bíblia descreveu no passado o mundo em que vivemos hoje, e o de amanhã também.

Norbert Lieth é Diretor da Chamada da Meia-Noite Internacional. Suas mensagens têm como tema central a Palavra Profética. Logo após sua conversão, estudou em nossa Escola Bíblica e ficou no Uruguai até concluí-la. Por alguns anos trabalhou como missionário em nossa Obra na Bolívia e depois iniciou a divulgação da nossa literatura na Venezuela, onde permaneceu até 1985. Nesse ano, voltou à Suíça e é o principal preletor em nossas conferências na Europa. É autor de vários livros publicados em alemão, português e espanhol.

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