Glifosato: O Caminho Para a Doença Moderna

Atualmente, temos inúmeras substâncias desfavoráveis na alimentação do mundo moderno, como conservantes, preservativos, edulcorantes, excesso de xarope de milho etc. Como se isso não bastasse, cada vez mais encontra-se nos alimentos o glifosato, que é o principio ativo do herbicida Roundup.

Com o aparecimento dos transgênicos, uma das alegações benéficas é que se usariam menos pesticidas e herbicidas nas culturas. Mas o que se vê, na verdade, nas últimas 2 décadas, é um aumento assustador do seu uso.

O Roundup é usado em culturas para controlar as ervas daninhas resistentes ao glifosato, tornando-se necessárias doses cada vez maiores para se ter o mesmo efeito herbicida. Além disso, o glifosato tem sido adotado como agente de dessecação logo antes da colheita.

As culturas transgênicas que passam por esse processo de dessecação são:

  • milho
  • soja
  • canola
  • beterraba

Algumas culturas não são transgênicas, e mesmo assim passam pelo processo de dessecação com essa substância, como por exemplo:

  • ervilhas secas
  • feijões
  • lentilhas

O uso do glifosato já é uma rotina como na pré-colheita e no controle de ervas daninhas perenes, como estratégia principal de gerenciamento de culturas. Com esse aumento do uso, ocorre também um aumento simultâneo de incidência e/ou taxa de óbito de múltiplas doenças, inclusive vários tipos de câncer, como tireoide, fígado, pâncreas, rins e leucemia mieloide. Recentemente a Organização Mundial de Saúde revisou a avaliação do potencial cancerígeno de glifosato (março de 2015) rotulando-o como “provável cancerígeno”.

Glifosato barrado em outros países

Alguns países já baniram o glifosato, como é o caso do Sri Lanka. Estudos feitos por Jayasumana e colaboradores apresentaram evidências bem convincentes de que ele era o fator chave nas doenças crônicas dos rins que estavam afetando um grande número de jovens trabalhadores ao norte do país. Esses resultados, em conjunto com a reavaliação do seu potencial cancerígeno pela Organização Mundial de Saúde, motivou o recém eleito presidente do Sri Lanka a banir a importação de glifosato como um dos seus primeiros atos após a sua eleição.

Glifosato e ecologia intestinal

O glifosato é tóxico para muitos micróbios e para a maioria das plantas. O efeito provável da exposição oral crônica de baixa dose causa o rompimento do equilíbrio entre os micróbios intestinais, causando:

  • um estado de inflamação crônica nos intestinos, que aumenta o risco de câncer, doença de Crohn, hepatite, esquistossomose, tireoidite, prostatite e a doença do intestino inflamatório.
  • uma barreira intestinal debilitada e muitas outras sequelas.

Glifosato e efeito estrogênico

O hormônio estrógeno foi declarado um cancerígeno humano pelo Programa de Toxicologia Nacional em 2003. Demonstrou-se que o glifosato tem efeitos, mesmo em doses minúsculas, em experiências in vitro em células tumorais mamárias. Ele induziu a proliferação dessas células em concentrações de partes por trilhão, e o fez através da afinidade de ligação ao receptor de estrógeno e da ativação do elemento de resposta do estrógeno (ERE).

Estudos Precoces da Monsanto

Documentos que se originaram da Monsanto, datados dos anos 1970 até os anos 1980, descreveram as experiências conduzidas para avaliar se o glifosato era seguro para o consumo humano. Os resultados dos estudos falavam especialmente sobre danos aos rins, tumorigenicidade, bioacumulação e os metabólitos do glifosato. Veja alguns desses detalhes:

Lesões renais

Observou-se:

  • mudanças nos rins, associadas à neuropatia progressiva crônica;
  • mineralização de detritos encontrados no epitélio renal;
  • aumentos estatisticamente significantes na dilatação tubular dos rins;
  • a fibrose intersticial renal que leva ao estágio final da insuficiência renal.

Indução de câncer

Observou-se:

  • multitudes de tumores em glândulas e órgãos. Eles ocorreram (da mais alta à menor incidência) nos seguintes órgãos: pituitário, tiroide, timo, glândulas mamárias, testículos, rim, pâncreas, fígado e pulmões.

Danos ao DNA

De acordo com o relatório do IARC, existem evidências diretas limitadas da carcinogenicidade do glifosato em seres humanos:

  • a indução de danos a cromossomos
  • indução do estresse oxidativo.

Um estudo sobre ouriços-do-mar investigou várias formulações diferentes de pesticidas a base de glifosato e descobriu que todas elas rompem o ciclo celular. Os sprays usados para disseminar os pesticidas podem expor as pessoas nos arredores a doses de 500 a 4.000 vezes mais altas do que as que são necessárias para induzir o rompimento do ciclo celular.

Já um estudo em crianças que moram perto de plantações de arroz na Malásia revelou rupturas dos filamentos do DNA e rupturas de cromossomos associadas com nível reduzido de colinesterase sanguínea, que foram atribuídas à exposição a inseticidas organofosforados.

Conclusão

Revisando a literatura de pesquisa sobre o glifosato e os processos biológicos associados com o câncer, há evidências fortes de que o glifosato está provavelmente contribuindo à prevalência aumentada de múltiplos tipos e câncer em seres humanos.

Os próprios estudos iniciais da Monsanto revelaram algumas tendências nos modelos animais que não deveriam ter sido ignoradas. Quarenta anos de exposição ao glifosato forneceu um laboratório vivo, onde os seres humanos foram as cobaias e os resultados são alarmantemente aparentes.

O glifosato transforma as células expostas em estado provocante de tumores.
Em geral, as evidências da carcinogenicidade do glifosato é convincente e multifatorial. As evidências disponíveis merecem a reconsideração do risco/benefício com respeito ao uso de glifosato para controlar as ervas daninhas. É preciso uma regulamentação muito mais severa para o glifosato!

 

Referências bibliográficas:

  • World Health Organization. IARC Monographs Volume 112: Evaluation of Five Organophosphate Insecticides and Herbicides. (20 March 2015).
  • Toxicol. 39 (2013) 129–136
  • J. Organic Systems 9 (2014) 6–37
  • The Lancet 16 (2015) 490–491
  • Int. J. Environ. Res. Public Health 11 (2014) 2125–2147
  • Environ. Health 14 (2015) 6
  • J. Nephrol. 23 (2010) 253–262
  • Environ. Sci. Eur. 26 (2014) 14.
  • Cancer Cell 7 (2005) 211–217
  • Natl Cancer Inst. 95 (2003) 100–102
  • Vet. Pathol. 35 (1998) 352–360.
  • Bio/dynamics Project No. 77-2063.
  • J. Agromed. 19 (2014) 35–43
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