O Adventismo é uma seita?

 
Introdução
 
“Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos; porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te”. 2 Timóteo 3:1-5 (grifo do autor)
 
Guilherme Miller
 
Guilherme Miller foi um fazendeiro americano que nasceu no ano de 1787 em Pittsfield, Massachutss, e morreu em Low-Hampton, em 1849. Era um pregador itinerante da Igreja Batista que, usando uma chave bíblica, começou a estudar porções proféticas e apocalípticas da Bíblia. Apaixonou-se por esse estudo de tal maneira, que passou a tirar suas próprias conclusões dos estudos.
Uma de suas características era colocar datas nas profecias bíblicas. Dessa maneira, chegou à conclusão de que os 2.300 dias de Daniel 8:13-14, começando com a data do mandamento para a restauração de Jerusalém (dado de 457 Antes de Cristo) e os 1355 dias do mesmo profeta em Daniel 12:12, que constituiriam a ultima parte dos 2.300 de Dn 8:14, se completariam por volta de 1843 da nossa era. Afirmou também, de forma interpretativa, que a purificação do templo significava a purificação da terra na época da volta de Cristo. De acordo com os dias-anos de Daniel, começou a pregar que a volta de Cristo ocorreria entre 21 de março de 1843 de 21 de março de 1844. Como Cristo não voltou dentro do tempo previsto e até agora não voltou (março de 2005), Miller alegou naquela época erro de calculo por ter usado o calendário hebraico em vez do romano e marcou outra data para 22 de outubro de 1844. Tendo se decepcionado novamente, teve que fugir de uma multidão enfurecida e frustrada pela inútil espera. Depois disso, cessou suas atividades, desistiu da nova religião e voltou à comunidade com a igreja Batista da qual era membro.
Enquanto estudava as profecias, Miller chegou a escrever e publicar algumas obras como: “O Grito da Meia Noite”, “Os Sinais dos Tempos”, “A Trombeta de Alarme – obras que provocaram expectativas nas pessoas e que foram muito lidas no seu tempo. Com a base da pregação era a volta de Cristo, Miller e suas seguidores receberam o apelido de “adventistas”.
 
Ellen G. White
 
Dentre os fiéis seguidores de Miller estava a Sra Ellen G. White que, depois de ver fracassado outras tentativas de marcação de datas por parte de alguns adventistas remanescentes, afirmou ter tido visões dos céus que lhes revelara toda a verdade.
Ellen Gold White nasceu em 1827 e morreu em 1915. Diante dos fracassos das profecias de Miller, afirmou ter tido uma visão, na qual Cristo teria realmente voltado em 1843. No seu livro “Spiritual Gilfts”, afirma: “Eis que vi que Deus estava na proclamação do tempo em 1843”.
É aí que surge a sua famosa teoria do santuário. Afirmava ela que o santuário de Daniel 8:13-14 está no céu e não na terra. Cristo teria vindo em 22 de outubro de 1844 a esse santuário do céu, para purifica-lo, o que ainda está fazendo; depois, sim viria à terra. Sua vinda a esse santuário, por ser no céu, logicamente foi invisível aos homens. O próprio Guilherme Miller não aceitou essas “boas novas” e continuou afastado do movimento.
Muitas outras datas foram marcadas. Quase que uma por ano, até 1877, quando finalmente desistiram, deixando a coisa por conta do próprio Cristo.
O grupo dos seguidores de Ellen White ficou conhecido como “adventistas” até 1860. A partir daí, devido às visões da Sra. White sobre a guarda do sábado, passou a ser denominado de “Adventistas do Sétimo Dia”.
Em 1874, enviou seu primeiro missionário à Suíça; em 1894, outro foi enviado à África do Sul; em 1863 já tinham uma organização nacional com cerca de 125 igrejas e 3500 membros. A guarda do sábado se iniciou no fim do ano de 1844.
Ellen White passou a ser considerada como mensageira do Senhor e profetisa dos adventistas. Conquistou muitos adeptos, através dos seus escritos que são divulgados até hoje. Junto com ela, muitos dos fundadores inventaram as mais diversas doutrinas que, após a aprovação da Sra White, eram pregadas e ensinadas ao povo.
Os Adventistas do Sétimo Dia consideram os livros da Sra. White inspirados por Deus, da mesma forma como a Bíblia o é. Seu livro “O Conflito dos Séculos” é considerado sua obra-prima, uma verdadeira “bíblia” adventista, divulgado amplamente em todo o mundo. Calculam já terem vendido mais de 5.000.000 exemplares somente desta obra. Outros livros de muita importância para eles são: “Vida de Jesus”, “Patriarcas e Profetas”, “Vereda de Cristo”, “O Desejado de Todas as Nações” e outros da autoria da Sra. White.
 
O Adventismo do 7º Dia
 
Como definir essa seita? Não podemos dizer que é uma denominação evangélica. Também não podemos dizer que não prega o Evangelho de Jesus Cristo. Afinal, fala muito de Jesus Cristo e prega grandes verdades do cristianismo. Os adventistas têm uma rede hospitalar muito boa, um serviço social considerado como um dos melhores do mundo, e procuram viver uma vida piedosa como convém ao bom cristão.
Talvez possamos dizer que, no que pese as suas qualidades, não são um povo que vive a verdadeira fé em Nosso Senhor Jesus Cristo. Suas doutrinas e sua visão do mundo destoam grandemente das doutrinas e da visão do mundo de todas as denominações cristãs.
Eles se consideram como “a ultima igreja” de que fala a profecia bíblica. Dizem ser mais do que um movimento eclesiástico. Consideram-se possuidores do juízo de Deus para proclamar ao mundo. Interpretam sua missão como ajuda para preparar o homem para a vinda do Senhor; isso explica o seu zelo pela evangelização, que é dirigida mais aos evangélicos, na tentativa de “convence-los do erro” do que aos não crentes. É por isso que, dificilmente encontramos um adventista que tenha tido um passado mundano. Quase todos, ou são filhos de adventistas, ou são oriundos das mais diversas denominações protestantes. Poucos são, também, os católicos que lá se encontram.
Os adventistas se acham donos da verdade absoluta. Por isso mesmo, não conseguem trabalhar em harmonia com os demais e trabalham ativamente para conseguir adeptos dentro das outras denominações: Nesse ponto podemos questionar o seu “zelo” evangelístico. Pregam para quem já conhece o Evangelho e está comprometido com ele, e sua mensagem não se fundamenta na verdade salvadora, que foi revelada por Deus, nas Sagradas Escrituras.
 
As Doutrinas
 
Os Adventistas tem quatro pontos doutrinários principais e que são totalmente diferentes da interpretação realmente bíblica:
1- O ESTADO DA ALMA DEPOIS DA MORTE – Afirmam que, depois da morte, somos reduzidos ao silêncio. Que morte é morte mesmo, incluindo a própria alma. Ao morrer, o homem deixa realmente de existir. Vejamos o que diz a Bíblia a esse respeito em Lc 16:22-23, Fp 1:23, 2Co 5:1 e Sl 73:24-25. Em todas essas passagens notamos que após a morte existe vida. Não existe silêncio após a morte.
2- O ANIQUILAMENTO DOS IMPIOS – Os adventistas dizem que o pecados e os pecadores serão exterminados para sempre, e tudo se fará limpo no universo quando acabar a controvérsia entre Cristo e Satanás; isso também é contrário ao que temos em Romanos 2:6-9 e Apocalipse 20:10-14. Haverá um lugar destinado aos ímpios onde haverá muito sofrimento e sofrimento eterno. Portando a Bíblia não diz que haverá extermínio eterno como os adventistas dizem.
3- A EXPIAÇÃO DE CRISTO – Aqui se encontra um dos erros mais cruciais da doutrina adventista. Tentando corrigir o erro de Miller, a Sra White dizia que Ele voltou em 1844, não para a terra, como pensava Miller, mas para algum outro lugar próximo da terra, e esse lugar não poderia ser outro senão o céu. Ora, segundo ela, quando Cristo entrou no santuário celeste, a porta foi fechada. Cristo está fazendo um “juízo investigativo”, examinando tudo e mostrando ao Pai Celestial aqueles que têm os méritos de gozar dos benefícios da expiação. Agora, somente os que já estão no santuário estão salvos. Os demais, se não aceitarem as doutrinas da Igreja Adventista não têm chance de se salvar, pois a verdade está com eles.
4- A QUESTÃO DO SÁBADO – Diz a Sra White que teve uma visão onde havia uma arca no céu e nela se destacavam os dez mandamentos. Dos mandamentos se destacava o quarto, porque se apresentava dentro de um circulo de luz. Entendeu ela que este quarto mandamento precisava receber maior atenção do que os demais, porque era o mais negligenciado pelos cristãos da época.
Os adventistas, com isso estão preocupados em guardar um dia determinado pela Lei de Moisés. Afirmam que o sábado é anterior à Lei, e que por isso mesmo não pertence à Lei. Tomam, para esse argumento, o fato de ter Deus feito o mundo em seis dias e descansado no sétimo.
Se partirmos do principio da criação, para construir o calendário, a historia complica. Deus criou o homem no sexto dia. O sétimo dia da criação foi, portanto, o primeiro dia da semana do homem. Não se justificaria o homem ser criado em um dia e já descansar no próximo. Assim, o sétimo dia de Deus é o primeiro do homem. Seguindo a semana, de acordo com essa lógica, o dia de descanso do homem seria na sexta-feira.
 
J. Cabral, no seu livro “Religiões, Seitas e Heresias”, apresenta-nos, com muita propriedade, algumas razões pelas quais os cristãos não guardam o sábado. Vejamos:
a) Deus aborrece o sábado, porque envolve um preceito cerimonial carente da verdadeira fé. Isaías 1:13
b) O sábado faz parte da lei e esta foi cumprida por Cristo. Mateus 5:17
c) O sábado faz parte de um concerto ou pacto entre Deus e o povo israelita. Êxodo 20:1-2
d) Antes do concerto do Sinai Deus não ordenou a ninguém que guardasse o sábado. Gn 3:17
e) O sábado consta do Decálogo (os Dez Mandamentos), e esta não é a parte mais importante da Lei de Deus. Mateus 22:36-40
f) A palavra “lei” em nenhuma das 395 vezes que ocorre na Bíblia se refere somente ao decálogo. Gálatas 5:4 e Gálatas 3:10
g) Os Dez Mandamentos são apenas um resumo da Lei. Mateus 22:40
h) O sábado não é uma instituição perpetua para outros povos, senão para os judeus. Êxodo 31:17
i) Jesus foi a ultima pessoa que teve obrigação de guardar o sábado. Gálatas 4:4-5
j) Estamos em um novo concerto – Mateus 26:28
k) Jesus nunca mandou ninguém guardar o sábado
l) O Apostolo Paulo que era o apostolo dos gentios, nada ensinou acerca da guarda do sábado.
m) A igreja primitiva guardava o domingo.(Não foi instituído pelo papa nem por Constantino, como dizem os sabadistas. Constantino apenas oficializou algo que existia desde os primórdios do cristianismo).
n) Não estamos ligados a um lugar ou a um tempo para adorar a Deus. Jesus deixou isso bem claro. João 4:24
o) Os crentes que começaram a guardar o sábado e outros dias foram alertados pelo Ap. Paulo, pois poderiam se desviar do caminho. Gálatas 4:9
Outras Falsas Doutrinas
 
* Todos os grupos religiosos cristãos ou não, constituem “A Grande Babilônia” e serão rejeitados por Deus. Somente os adventistas foram o verdadeiro povo de Deus.
* Os testemunhos ou escritos da Sra White são inspirados exatamente como a Bíblia e têm o propósito de interpretar a Bíblia.
* Quando Cristo vier, levará apenas 144.000 crentes, e este número será composto inteiramente daqueles que guardam o sábado.
* O “resto” de que se fala em Apocalipse 12:17, como aqueles que “guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus Cristo”, são os adventistas, a única igreja verdadeira.
* Os mortos tantos os santos como os pecadores, descansam nas sepulturas completamente inconscientes até a ressurreição.
* Este mundo é o abismo onde Satanás será lançado durante mil anos.
É interessante como os adventistas ainda aceitam tais ensinamentos como verdadeiras revelações. A história do adventismo mostra muito bem como as revelações foram falhas:
* O líder Guilherme Miller marcou o ano de 1844 para o fim do mundo.
* Durante o ano de 1844 os adventistas deram gratuitamente suas propriedades, porque criam que não teriam mais necessidade de cosias materiais, uma vez que naquele mesmo ano, Jesus Cristo voltaria.
* Por muitos anos os adventistas disseram que plantar uma arvore era negar a fé. Tampouco não colocavam as crianças nas escolas, por achar que seria inútil. Antes mesmo que a arvore desse fruto ou as crianças aprendessem qualquer coisa, Jesus viria ao mundo.
* A Sra White insistiu por muito tempo com uma mensagem de dizia ser uma “revelação”, na qual as mulheres deveriam usar uma saia curta por cima das calças compridas iam até os tornozelos (uma maneira reformada de vestir, segundo ela). Tal revelação não pegou e ela ficou desacreditada.
* Por muito tempo, foi considerado um grande pecado entre os adventistas, organizar ou escolher um nome para a igreja. Compreendiam que agir assim seria “A Grande Babilônia”, ou seja, a igreja caída.
* Como já vimos, os sabatistas são abundantes nos seus erros e nas suas heresias. O fato de, em determinadas doutrinas, misturarem verdade e erro, faz com que enganem a muitas pessoas sinceras e interessadas em encontrar a verdade. Infelizmente, tal mistura, por muitas vezes, têm desviado crentes sinceros de suas igrejas, pensando terem encontrado uma doutrina inspirada por Deus.
* Qualquer pessoa que tenha um mínimo conhecimento de regras de interpretação de textos bíblicos, certamente não terá dificuldade para compreender o emaranhado de erros e interpretações falsas do adventismo. Os adventistas não conseguem chegar a um verdadeiro entendimento, nesse sentido, porque lhes é feita uma lavagem cerebral onde aprendem que os escritos da Sra White são tão inspirados quanto a Bíblia. Se ela disse, simplesmente crêem e obedecem.
 
BIBLIOGRAFIA:
Bíblia Sagrada – João Ferreira de Almeida – Revista e Corrigida/Brasil SBB 1998
As Novas Religiões – Jacob Needleman
As Novas Seitas – Alain Woodrow
As Religiões do Mundo – Irineu Wilges
Religiones, Sectas Y Herejías – J. Cabral
Sabatismo à Luz da Palavra de Deus – Ricardo Petrowski
Os Profetas das Grandes Religiões – R. R Soares
Mariel Marra é atualmente bacharelando em Teologia pela faculdade FATE-BH em Belo Horizonte, membro da Igreja Batista da Lagoinha, diácono e professor da Escola de Líderes e EBD. Sempre envolvido com a visão da Batalha Espiritual, Mariel Marra trabalha ativamente na Internet e outros meios de comunicação chamando a Igreja para a Unidade e equilíbrio e moderação em Cristo.

 

Fonte: Adilson Zappa

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